Global Big Day: uma oportunidade para o Brasil mobilizar ciência cidadã, fortalecer o turismo de natureza e mostrar sua biodiversidade ao mundo

O maior evento mundial de observação de aves conecta ciência, conservação e turismo e pode ajudar destinos brasileiros a ganhar visibilidade internacional.

Todos os anos, milhares de observadores de aves ao redor do planeta participam de uma das maiores mobilizações de ciência cidadã da atualidade: o Global Big Day, iniciativa global organizada pela plataforma eBird que reúne pessoas em todos os continentes para registrar aves durante um período de apenas 24 horas.

Mais do que um evento para observadores de aves, o Global Big Day se consolidou como uma grande plataforma de geração de dados científicos, educação ambiental e valorização da biodiversidade. Cada registro inserido na plataforma contribui para ampliar o conhecimento sobre a distribuição das espécies, seus habitats e seus padrões de ocorrência, ajudando pesquisadores e gestores ambientais a compreender melhor a dinâmica da avifauna.

No Brasil, país que abriga uma das maiores diversidades de aves do planeta, o Global Big Day possui um significado ainda mais relevante. A observação de aves vem crescendo de forma consistente e já é reconhecida como uma atividade que conecta lazer, ciência, conservação e turismo, fortalecendo tanto o conhecimento científico quanto o desenvolvimento do aviturismo em diferentes regiões.

Ao mesmo tempo em que gera conhecimento, essa mobilização também ajuda a revelar novos destinos, estimular a proteção de áreas naturais e movimentar cadeias produtivas locais ligadas ao turismo de natureza.

O potencial do Brasil no Global Big Day

Os dados do Global Big Day realizado em maio de 2025 demonstram que o Brasil possui uma participação relevante no cenário global, embora ainda distante do potencial que o país poderia alcançar, permanecendo na 3ª posição no ranking mundial.

No evento foram registrados:

  • 1.216 observadores participantes

  • 1.250 espécies registradas

Embora o número de espécies seja expressivo, alguns estados brasileiros registraram menos de 100 espécies observadas, incluindo:

  • Piauí

  • Alagoas

  • Paraíba

  • Roraima

  • Sergipe

  • Acre

  • Amapá

Esse cenário chama atenção porque muitos desses estados possuem habitats extremamente ricos, com aves raras, migratórias e endêmicas. Isso demonstra que o principal desafio para ampliar os resultados brasileiros não está na biodiversidade disponível, mas sim no engajamento e mobilização de observadores e instituições locais.

Outro indicador importante é o número de participantes por estado, que revela uma grande concentração de observadores em poucos territórios.

Esses dados mostram claramente que existe um enorme espaço para crescimento da participação dos observadores de aves brasileiros. Considerando a diversidade de aves existente em praticamente todos os biomas do país, é perfeitamente possível que todos os estados ultrapassem 150 a 250 espécies registradas em apenas 24 horas.

O papel fundamental das unidades de conservação

As unidades de conservação desempenham um papel essencial nesse processo.

Parques nacionais, estaduais, reservas particulares e outras áreas protegidas concentram grande parte da biodiversidade brasileira e funcionam como verdadeiros refúgios para a fauna. Durante o Global Big Day, muitas dessas áreas se tornam pontos estratégicos para a observação de aves, reunindo pesquisadores, observadores e visitantes.

Além de proteger habitats fundamentais para as espécies, essas áreas também oferecem infraestrutura para atividades de turismo de natureza, trilhas interpretativas e programas de educação ambiental. Dessa forma, as unidades de conservação contribuem não apenas para a geração de dados científicos, mas também para a valorização da biodiversidade e para o fortalecimento do turismo sustentável.

Quando bem estruturadas e integradas às estratégias de promoção turística, essas áreas podem se tornar importantes polos de observação de aves, atraindo visitantes interessados em conhecer a riqueza natural brasileira.

O Global Big Day também é uma estratégia de posicionamento turístico

Além do impacto científico, o Global Big Day representa uma grande oportunidade para destinos turísticos se posicionarem no segmento.

Destinos que se mobilizam para o evento acabam gerando visibilidade para seus ambientes naturais, suas unidades de conservação e seus atrativos de observação de aves. Os dados do eBird ajudam o observador e fotógrafo de aves encontrar novos rotas, guias, condutores, escolher, planejar seus próximos destinos de viagem, o que significa que locais com grande diversidade registrada passam a ganhar destaque no radar do aviturismo.

Esse movimento fortalece um segmento turístico que cresce no mundo inteiro. A observação de aves tem se consolidado como um dos ramos mais dinâmicos do ecoturismo, capaz de gerar renda para comunidades locais, estimular a conservação da biodiversidade e promover o uso sustentável das áreas naturais.

Por isso, o Global Big Day pode ser entendido também como uma ação estratégica de promoção territorial, especialmente para destinos que desejam se posicionar no turismo de natureza e no aviturismo.

O papel do poder público na mobilização

Estados e municípios possuem um papel fundamental na mobilização para o Global Big Day.

Secretarias de turismo, meio ambiente e instituições ligadas à gestão territorial podem apoiar o evento por meio de diversas iniciativas, como:

  • mobilização de observadores locais

  • apoio logístico para saídas de observação

  • atividades de educação ambiental

  • capacitações sobre o uso do eBird

  • promoção de trilhas interpretativas e eventos públicos

Um exemplo importante dessa atuação ocorreu em Mato Grosso do Sul, onde a Fundação de Turismo do Estado realizou uma capacitação para gestores municipais sobre o Global Big Day, preparando os destinos para participarem da mobilização e compreenderem o potencial turístico da observação de aves.

A iniciativa buscou mostrar aos municípios como a atividade pode gerar visibilidade para seus territórios, estimular o turismo de natureza e fortalecer o relacionamento com os observadores de aves. Ao final da reunião municípios sinalizaram que estariam dispostos a apoiar com logística, alimentação e hospedagem de participantes de clubes de observadores de aves a visitar seus territórios no global big day.

Esse tipo de ação pode ser replicado em todo o Brasil, especialmente por meio das Secretarias Estaduais de Turismo, ajudando gestores municipais a compreender o segmento e a apoiar iniciativas locais.

O papel das regiões turísticas e das IGRs

Outro ator importante nesse processo são as Instâncias de Governança Regional (IGRs) e as regiões turísticas.

Essas organizações podem mobilizar diferentes municípios ao mesmo tempo, criando verdadeiras redes regionais de participação no Global Big Day, junto com os clubes de observadores de aves de suas regiões.

Entre as ações possíveis estão:

  • organizar saídas coletivas de observação de aves

  • mapear hotspots regionais

  • apoiar clubes de observadores de aves

  • promover campanhas regionais de mobilização

  • estimular municípios a registrar espécies em seus territórios

Essa articulação regional pode transformar o Global Big Day em um evento turístico e ambiental de grande impacto territorial, capaz de envolver comunidades locais, observadores, pesquisadores e visitantes.

Estratégias para melhorar o desempenho brasileiro

Para ampliar os resultados do Brasil no Global Big Day, algumas estratégias podem ser adotadas.

  • Uma delas é a criação de listas estratégicas de espécies com maior facilidade de registro, ajudando observadores iniciantes a maximizar o número de aves registradas.
  • Outra ação importante é priorizar o registro de espécies endêmicas brasileiras, que possuem grande valor científico e contribuem diretamente para ampliar a diversidade registrada pelo país.
  • Também é relevante elaborar listas de espécies com maior dificuldade de observação, muitas vezes não por serem raras, mas por possuírem comportamento discreto ou habitats específicos.

Ao mesmo tempo, é fundamental reforçar que o Global Big Day não é uma competição individual, mas uma ação colaborativa de ciência cidadã. A qualidade dos registros é essencial, e dados incorretos ou inventados prejudicam a confiabilidade das informações, que passam por processos de moderação científica.

Uma grande mobilização nacional

Países como Colômbia e Peru já transformaram o Global Big Day em verdadeiras campanhas nacionais de mobilização.

No Brasil, o potencial é ainda maior. No último ano começaram a surgir ações de mobilização promovidas por instituições como MMA, CEMAVE, MTur e Embratur, mas ainda existe espaço para uma articulação mais ampla e estruturada. O país possui uma biodiversidade extraordinária, uma rede crescente de observadores, destinos turísticos consolidados e uma diversidade de ambientes naturais que poucos países no mundo possuem.

O Global Big Day pode se tornar uma grande mobilização nacional pela biodiversidade, envolvendo observadores, clubes, universidades, unidades de conservação, destinos turísticos e gestores públicos.

Cada registro feito durante esse dia ajuda a contar a história da biodiversidade brasileira. Cada observador mobilizado fortalece a ciência cidadã. E cada destino que participa ajuda a mostrar ao mundo a riqueza natural do Brasil.

Participe do próximo Global Big Day – 09 de maio de 2026

Se você é gestor público, observador de aves, guia de turismo ou simplesmente um apaixonado pela natureza, o convite está feito.

– Mobilize seu município, convide observadores locais, organize saídas de campo e registre as aves do seu território.

– O Global Big Day é uma oportunidade única de unir ciência, conservação e turismo em um único movimento.

Porque, no final das contas, #CadaAveConta.

Estamos à disposição para ajudar destinos, estados e municípios a participarem de forma ativa do Global Big Day 2026.

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